Pages

21 maio 2013

No forte


No forte de K..., por volta do ano de 13..., cinco amigos planejavam como ocorreria uma estranha batalha. Reuniam-se toda tarde na entrada da torre e falavam sobre coisas que aconteciam naquela região. Nesse mesmo ano, o assunto de maior importância era sobre dois samurais, guerreiros treinados desde a infância e com uma dedicação assídua ao seu dever. Esses dois homens estavam, fazia um tempo, espalhando medo e morte pelas terras do rei Reuel da qual nossos cinco heróis eram devotos fieis.

Os cinco amigos se conheciam desde crianças e foram nomeados cavaleiros há pouco tempo. Seus nomes eram K, o que os incentivou; Barone, o que lhes dava forças; Markito, o que lutava pela honra; Edward, o que lhes tomava decisões; e Mr. Eder, o que lhes liderava sabiamente.

O forte ficava localizado nas encostas de uma montanha de modo que sua torre pudesse observar vários quilômetros a leste e a norte. Ao sul do forte, nos pés da montanha, havia um pequeno lago que, em algumas milhas, desembocava num rio. O lago nessa época ficava sempre coberto de folhas amarelas e marrons que caiam da copa das altas arvores que circundavam o forte. Esse “quintal” servia de abrigo aos cavalos e era um local para festas e comemorações.

K não usava armadura alguma, pois achava que esta o impediria de cometer certos movimentos no calor da batalha. Pelo contrário, Edward e Mr. Eder jamais as tiravam. Treinado por um tio, K aprendeu as artes bárbaras de combate. Sua espada Allein, que ele portava com as duas mãos sempre esteve com ele. Não tinha escudos ou qualquer outra proteção, preferindo ficar livre para a luta, e isso nunca o impediu de se sair bem em todas suas batalhas.


* * *


Houve uma noite em que os cinco amigos haviam retornado da torre, o sol estava se pondo deixando um clarão branco no fundo do forte e um tom rosado nas nuvens que vagavam no céu. Os amigos chegaram e se sentaram à mesa dentro do forte. Eles comiam e falavam sobre o eminente ataque dos guerreiros.
Uma flecha com a ponta em chamas adentra a janela acima de suas cabeças e cai no monte de feno, ao lado da mesa, causando uma explosão de fogo imediata.

-Samurais- berrou Edward- saiam de perto do fogo!

Markito correu para pegar sua armadura e a vestir, o sol ainda mostrava seus raios moribundos e o clarão do fogo iluminava os cavalos em disparada ao norte.

-Eles estão perto do lago- disse Mr. Eder- eu, Markito e Edward desceremos, você e Barone ficam e guardam a entrada!

Os três amigos desceram para a escuridão acinzentada do lago com espadas em punho e ainda se recobrando do susto. Barone estava sem espada e sem armadura que tinha deixado dentro do forte. Ele se preparava para cruzar as chamas quando viu os dois samurais com sua espadas curvas em punho se dirigindo para a torre a algumas dezenas de metros a frente do “quintal”.

-Aqui. Eles estão aqui. - gritou Barone na escuridão em direção ao lago onde seus três companheiros estavam.

Subitamente os guerreiros que avançavam pararam e cada um tirou de seus grandes bolsos um objeto de ferro, grande como a palma da mão, lançaram em direção as cabeças dos dois amigos e se puseram a correr novamente. K saltou em direção à Barone e, com a espada rebateu os objetos numa fração de segundos lançando-os ao chão.

-Preciso pegar minha arma- berrou Barone - vou adentrar as chamas!

-Não! Eu irei! E trarei também sua armadura.- impôs K- tu és o melhor de nos, não se arrisque. Pegue minha Allein e mantenha-os ocupados! –Dizendo isso mergulhou para o fogo e foi para dentro do forte.

K dirigiu-se ao segundo andar mais rápido do que suas pernas podiam leva-lo. Não encontrou armadura alguma e procurava a espada de Barone quando ouviu passos fortes na sala atrás. Voltou-se para o som e deparou-se com um samurai.

-O que diabos pode ter acontecido?-indagou para si mesmo enquanto corria. Todos os pensamentos passaram por sua cabeça então achou uma espada ainda na bainha em cima de uma das camas de um quarto qualquer. Ao pegar a bainha e retirar a espada viu que não havia espada alguma, apenas o cabo. Virou-se lentamente e o samurai contemplava toda a cena. Droga!! - pensou.

-Estou desarmado, senhor...- disse ao samurai abrindo seus braços.- estou a sua mercê.

-Pode apostar que está. - falou o assassino que caminhou em sua direção e estocou o peito de K. O ferimento poderia ter sido fatal se K não segurasse a lamina com suas mãos, que agora jorravam sangue.

-Não me mate! - pensou K. Chutou-lhe a cintura e foi para a saída. Lá encontrou Barone gladiando com o segundo e, sem armas, dirigiu seu olhar para a escuridão onde estava o lago e gritou por seus amigos que ao longe chegavam anda sem ser vistos. Foi nessa hora em que sentiu um ardume em suas costas e caiu de joelhos. O samurai havia lhe passado a lamina nas costas e agora juntava a mão em seus longos cabelos.

-Não.. .- disse baixinho quando o vilão ergueu sua cabeça e passou a lamina em toda a extensão de seu pescoço.

Tudo se tornou lento. Tudo ficou mudo. Ele sabia o que estava acontecendo. Num ultimo esforço K se virou para Barone e colocou a mão no pescoço aberto. Apertou-o com toda a pouca força que lhe restava e desejou-lhe:
-Vida longa a todos vocês...ainda vamos nos encontrar. Mas não agora. Não hoje...- somente em pensamento, porque não conseguia falar. Mas Barone entendeu, enquanto o corpo de K caía. E a ultima coisa que ele viu foi seus três amigos chegando correndo, gritando numa fúria insana, mas ele não ouvia mais nada.

0 frequentadores:

Postar um comentário

Este é um blog literário. Todo conteúdo de crônicas e diários são meramente fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas, acontecimentos ou fatos terá sido mera coincidência.